uma luta constante que travo contra mim próprio
Batalhas contra inimigos invisíveis, sentimentos que
reviram. Uma morte prematura do tempo que se esquece
de mim nesta dura batalha.
Faz-me deixar de te amar, ensina-me como se faz
nunca aprendi nem nunca soube deixar de amar um grande amor
Vivo numa redoma envolto de solidão sentida, tu foste
com as asas do tempo, partiste sem um adeus, um olhar, um sorriso,
que poderia guardar nas paredes da minha alma, faria sorrir o meu coração
por uma única vez.
Faz-me deixar de te amar, peço a Deus, aos anjos, peço ao tempo,
minha voz não se ouve, meu grito é mudo. Meu corpo seco como um
roseiral devastado por uma praga de insectos, sou cinza de mim mesmo.
Arde-me o corpo, fogo que nunca se extingue, esse amor que não
sei como deixar de te amar. Ensina-me
Minha vida como um diário
nunca lido,
páginas da vida que desfolho sem marcação, sem numeração
Os dias e as noites perderam o sentido
Faz-me deixar de te amar
"... rasgar uma folha branca do bloco, escrever frases soltas a que só depois conferia sentido,
se fosse o caso de o haver, desenhar palavras no papel que queria só minhas e ao mesmo tempo lidas por todos, como se fosse
incapaz de falar e me fosse vital que me lessem, uma maneira de dizer Existo, se não fosse eu estes riscos não existiriam,
não interessa se dizem algo que valha a pena ser dito, apenas que existem, que só existem porque eu existo, que dependem totalmente
de mim..."

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